O termo da validade de uma patente não deve, necessariamente, marcar o fim de um litígio.
Na edição recente da revista The Patent Lawyer, Patrícia Paias, Francisco Marques Azevedo e Clara Nolasco Lamas analisam as implicações jurídicas e práticas das medidas cautelares perante o Tribunal Unificado de Patentes (UPC), centrando-se nos pedidos de indemnização que podem surgir quando se verifica posteriormente que as medidas provisórias eram injustificadas e a patente expira antes da conclusão do processo principal.
O artigo aborda uma questão cada vez mais relevante no âmbito do UPC: quando uma patente expira antes de ser proferida uma decisão final, o foco pode passar da aplicação dos direitos de patente para as consequências de medidas cautelares que, em última análise, se possam revelar injustificadas.
Isto levanta questões importantes relativamente a:
• Indemnização das partes afetadas
• Padrões de responsabilidade
• O tratamento de danos transfronteiriços no âmbito do sistema do UPC
A discussão é particularmente relevante para o setor das ciências da vida, onde as medidas provisórias podem afetar o acesso ao mercado, as oportunidades de contratos públicos e o posicionamento competitivo muito tempo depois de a proteção da patente ter expirado.
À medida que a jurisprudência do UPC continua a evoluir, é provável que estas questões venham a desempenhar um papel cada vez mais importante na definição tanto das estratégias de litígio como da tomada de decisões comerciais em toda a Europa.